Rua Marechal Deodoro

Extensão: 180 metros
Bairro: Centro
Resolução 50/1939




Manuel Deodoro da Fonseca (05/08/1827 – 23/08/1892) foi militar, político, proclamador da República e o primeiro presidente do Brasil.
Galgou todos os postos da hierarquia militar e, enquanto capitão do exército imperial brasileiro, participou do cerco a Montevidéu no Uruguai. Obteve grande destaque também na campanha da Guerra do Paraguai.

Já como marechal-de-campo, em serviço em Porto Alegre, foi chamado de volta ao Rio de Janeiro, por seu envolvimento no confronto das classes armadas com o governo civil do Império, episódio que ficaria conhecido como a "Questão Militar", e por ter permitido que os oficiais da guarnição de Porto Alegre se manifestassem politicamente, o que era proibido pelo governo imperial. Chegando ao Rio, Deodoro foi festivamente recebido por seus colegas e pelos alunos da Escola Militar. Foi, então, eleito primeiro presidente do Clube Militar, entidade que ajudara a constituir, e passou a liderar o setor antiescravista do Exército.

A ideia da mudança de regime de governo, da monarquia para a república não encontrava apoio no país ou na população. Foi essencialmente uma “revolução da minoria”. Gestada essencialmente dentro dos círculos militares que viam melhores possibilidades em um governo republicano, centralizador e ditatorial do que em uma monarquia parlamentarista constitucional como a que havia no Brasil. Devido a esta falta de apoio, os republicanos passaram a aproximar-se de Deodoro, procurando seu apoio, sem, no entanto, sua participação direta.

A própria história de vida do Imperador Dom Pedro II e sua desilusão com a continuidade do regime colaboraram para que não houvesse oposição à instauração da república.

Em 14 de novembro foi levantada a falsa notícia de que havia sido decretada a prisão de Deodoro pelo Visconde de Ouro Preto, uma espécie de “chefe de gabinete” do governo imperial. A falsa notícia foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o governo imperial. Pela manhã do dia 15 de novembro de 1889, o marechal reuniu algumas tropas e as pôs em marcha para o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclamação, hoje chamado Praça da República, na cidade do Rio de Janeiro.
Diante da recusa do Imperador em reagir militarmente para sufocar o golpe, a República foi instalada no Brasil, não sem surpresa diante do inesperado êxito.  

Na noite de 15 de novembro de 1889 foi constituído o Governo Provisório da República recém-proclamada, tendo como chefe o marechal Deodoro, com poderes ditatoriais. O ministério foi composto de republicanos históricos, como Campos Sales, Benjamin Constant e Quintino Bocaiuva, e de liberais da Monarquia que aderiram de primeira hora ao novo regime, como Rui Barbosa e Floriano Peixoto.

Em 16 de novembro, Deodoro mandou uma mensagem ao Imperador destronado, intimando-o a deixar o país juntamente com a família imperial brasileira, dentro de 24 horas, e oferecendo-lhe a quantia de 5 mil contos de réis para seu estabelecimento no exterior. D. Pedro II de Bragança recusou a oferta, e partiu na madrugada de 17 de novembro para Portugal, pedindo somente um travesseiro com terras do Brasil, para repousar a cabeça quando morresse, o que de fato aconteceu pouco mais de dois anos após.

O governo de Deodoro foi marcado por uma grande perturbação, sendo debeladas sucessivas revoltas uma a uma. Houve censura da imprensa, típica de uma ditadura militar que, a despeito da Assembleia Constituinte instalada, alguns historiadores afirmam ser este o primeiro período de ditadura militar vivido pelo Brasil.

Algumas medidas tomadas neste período foram a separação entre a Igreja e o Estado, o casamento civil, e a extinção da pena de morte, em tempos de paz. Com a composição de forças criada pela Assembleia Constituinte, duas correntes republicanas se chocavam dentro do próprio Governo Provisório: a corrente liberal-democrática, que visava a uma República federativa e presidencial, com separação de poderes, nos moldes da existente nos Estados Unidos da América; e a corrente positivista, que defendia uma ditadura republicana, segundo os princípios do filósofo Auguste Comte. Venceu a corrente liberal-democrática, sustentada por Campos Sales, Rui Barbosa e Prudente de Morais.

O Governo Deodoro foi marcado pelo esforço da implantação de um regime de Estado Republicano, mas foi caracterizado, entretanto, por grande instabilidade política e também econômica, devido às tentativas de centralização do poder, da movimentação de opositores da queda do Império, e por parte de outros setores das Forças Armadas descontentes com a situação política republicana. A crise teve seu ápice no fechamento do "Congresso Nacional do Brasil", o que mais tarde acabou levando à renúncia de Deodoro da Fonseca.
Após a Constituição Republicana ter sido aprovada, Deodoro foi eleito pelo congresso constituinte como presidente constitucional, tendo em Floriano Peixoto, seu opositor, seu vice-presidente.

Eleito pelo Congresso Nacional (indiretamente), Deodoro iniciou seu mandato sob forte tensão política. Tinha a oposição do Congresso e da população devido à crise econômica.
Entre agosto e novembro de 1891, o Congresso tentou aprovar a "Lei de Responsabilidades", que reduzia os poderes do presidente.

Deodoro contra-atacou a decisão do Congresso e em 3 de novembro de 1891 decretou a dissolução do Congresso, lançando um "Manifesto à Nação" para explicar as razões do seu ato. Enquanto isso, tropas militares cercaram os prédios do legislativo e prenderam líderes oposicionistas e a imprensa do Distrito Federal foi posta sob censura total, decretando, assim, o estado de sítio no país. Este fato entrou para a história como o Golpe de Três de Novembro e foi o último feito de Deodoro em sua carreira política, pois alguns dias depois, renunciaria ao mandato de presidente.

Em 23 de novembro de 1891, o Almirante Custódio de Melo, acionado por Floriano Peixoto, a bordo do Encouraçado Riachuelo, ameaçou bombardear o Rio de Janeiro caso Deodoro não renunciasse. O Marechal Deodoro, então, cedeu às pressões e renunciou ao cargo de presidente da República, entregando o poder ao vice-presidente, Floriano Peixoto.

A justificativa da resolução que deu origem à denominação desta rua, datada de 13 de novembro de 1939, e assinada pelo então prefeito Tenente Mário Fernandes Guedes, foi a de que, em 15 de novembro deste ano seria comemorado o cinquentenário da proclamação da República, e que notáveis brasileiros têm os seus nomes vinculados a esse grande evento histórico, cuja significação deve ser explicada por todas as formas de manifestações do pensamento. Além da rua Marechal Deodoro, também foram denominadas, nesta resolução, as ruas Marechal Floriano (que seria alterada para Marechal Floriano Peixoto, em 1943), Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant, nomes ilustres do episódio da Proclamação da República.