Bairro: Centro
Lei 653/1993

Manoel Siqueira Bello
foi um dos desbravadores do município, estando presente nos eventos que
antecederam à emancipação de Caçador. Sua assinatura está presente na ata da
Instalação do Município, em 1934.
Filho de Diogo Siqueira
Bello e de Maria Francisca Toledo Bello, nasceu em Clevelândia – PR, em 03 de
junho de 1902.
Trabalhava em Caçador como
Coletor Estadual e Tabelião. Em 1936 foi eleito vereador do município, na
primeira legislatura, juntamente com João Rech, Francisco Machado, João Palermo
e José Reichmann. Na instalação da Câmara Municipal, ocorrida em 22/04/1936,
Manoel Siqueira Bello foi eleito o primeiro Presidente da Câmara Municipal de
Caçador. Esta instalação da Câmara simbolizava a entrada definitiva do
município de Caçador no regime constitucional vigente no país.
Instalada a Câmara, esta
daria posse ao primeiro prefeito eleito em Caçador, Carlos Sperança, sendo que
os três primeiros, Leônidas Coelho de Souza, Trajano Rocha e Leônidas Cabral
Herbster, haviam sido indicados pelo interventor estadual.
Em 1937 (10 de novembro),
com o golpe de estado de Getúlio Vargas, denominado “Estado Novo”, as
atividades da Câmara foram forçosamente interrompidas, submetendo o município e
o próprio estado às determinações oriundas do Rio de Janeiro, então capital
federal.
Durante o período do Estado
Novo e logo após este período, por duas vezes Manoel Siqueira Bello foi nomeado
como Prefeito de Caçador, de 1940 a 1942 e de 1946 a 1947.
Com a volta à normalidade
democrática e constitucional em 1947, Manoel Siqueira Bello voltou a ser eleito
Vereador, no mandato de 1947 a 1951.
Manoel Siqueira Bello
faleceu em 14 de abril de 1981, aos 78 anos de idade.
Uma curiosidade em relação a
esta denominação é que o espaço era chamado (e é conhecido até hoje) de Largo
Caçanjurê. Segundo relato de Domingos Paganelli, em seu livro “SobreVida”, o então
prefeito Manoel Siqueira Bello chegou a sugerir a alteração do nome de Caçador
para Caçanjurê, quando, no final da década de 1930, o Departamento de Geografia
e Estatística (ou algum órgão da época com esta função) fez um levantamento e
listou as cidades brasileiras que eram homônimas, determinando que não poderiam
existir duas cidades com o mesmo nome, devendo as mais antigas permanecer com o
nome original e a mais nova deveria trocá-lo por outro.
Paganelli relata que em São
Paulo havia uma cidade com o mesmo nome da nossa e o Departamento considerou-a
como mais antiga, devendo Caçador trocar o seu nome.
O então prefeito, Manoel
Siqueira Bello formou uma comissão que, apesar das lamentações, pois ninguém
queria fazê-lo, mas era obrigatório seguir a lei, trabalhou para a mudança do
nome.
O prefeito chegou a sugerir
o nome de Caçanjurê, nome de um cacique, cuja tribo habitou a serra de Taquara
Verde. Quando a votação da mudança já estava iniciada, Domingos Paganelli
sugeriu que deveria ser feita uma comunicação ao Departamento, argumentando que
o nome de nossa cidade estava vinculado à criação da estação ferroviária Rio
Caçador, inaugurada em 1910. Desta forma, foi comprovado e reconhecido que
Caçador, em Santa Catarina, tinha o nome há mais tempo, fato que estabeleceu
definitivamente o nome.
É curioso que o nome
sugerido inicialmente por Manoel Siqueira Bello para substituir o próprio nome
da cidade, tenha sido, por sua vez, efetivamente substituído pelo nome do mesmo
proponente. Como não houve qualquer manifestação que recuperasse este histórico
no projeto de lei que originou esta alteração de nomenclatura, parece-nos justo
imaginar que tenha se tratado de uma imensa coincidência, que une para a
eternidade os nomes Caçanjurê e Manoel Siqueira Bello.